segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Embriaguês nômade


Resolvi escrever para falar nada. Que sorte tive eu!
Para nadar-me tive que pausar-me, colorir-me,
beber-me de mim um tanto que, embriagado, alcançasse a solitude.
Capotei meu carro veloz.
Arremessei meu silêncio com o aríete de meu timo.
Quando me fiz tonto, parei para vomitar um ar no vácuo.
No começo achava que seguia ainda nômade um escravo.
Agora vejo que não é meu cansaço avocal, minha vertigem, mas meu whisky envelhecido.
Me demoro no ofurô do vigor. É bom não falar tudo.
Quero espernear alguns momentos extras, afinal
nada há nada de mais;
e ainda que quisesse tudar,
não haveria letras.
Vejo isto pela janela do liquidificador que mora na esquina mais despovoada das palavras.




foto:languageglasses.blogspot.com
mauricieETSAntos,2010 

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