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domingo, 20 de dezembro de 2009

nossos ternos sempre ternos

foto:cravoneto





                       eu queria tanto um terno já; dois ternos jaz;

uma quadra blues e um duo jazz.

um feliz agora; um próspero este instante - não queria deixar pra depois não.
Pois o depois dorme devagar e o que sou, sou instantaneamente agorando,
prá sempre.
um eterno agora está sempre por aí.
eu queria também a transformação desse olhar, desse ouvir, pois há tanto se ouve mas não se escuta e quando se escuta não se entende e quando se entende não se acredita e quando se acredita não se concorda nem se explora.
Agora, queria tanto um terno já; um que fosse de pele líquida; um Lelis agora e aquela macarronada com molho trattoria; da hora; um próspero estalante - aquele estalo que nos acorde e acolhe desse sonho futuro que nunca vai começar daqui a pouco nem daqui.
Há muito ainda.
Pois o agora acorda num berço aconchegante, sempre vazio e vasto, mas não ôco.
É bom vastar num termo, num tempo que não foi sequer movido nem molhado.
É antes aquilo que existia antes de haver.
Nossos verbos nossos; nossos velhos modos, nossos molhos grossos,
 nós olhados...nossos olhados....nós telhados...nós moscada;
nossos ouvidos...nossos templos, ensuorpados...nossos ternos sempre ternos.
 


 






  mauriciETSAntos,2009  








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sábado, 31 de outubro de 2009

in-pax-ciência










in pacto não-pactoin divíduo
não-divido
in certeza
sim-duvido
in tolerência não-toleroin discutível
não-discuto
in separável
não-separo
in corporado sim-corpoin teligível
não-entendo
in variável não-vario



O encontro foi pacto. Pois eu e ela somos divíduos: duvidamos. Toleramos nossas discussões. Quando separamos nossos corpos não entendemos porque variamos.




bymauriceet&SANtos,2009







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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

to have or not to have

I have a chicken that has no bone
I have a friend that has no brain
I have a road that has no curve
and I have a line that has no end
@
I have a bus that has no driver
I have a river that has no fish
I have a mountain that has no stone
and I have a sky that has no clouds
@
I have a bakery that has no bread
I have a ring that has no hole
I have a farm that has no Jaboticaba
and I have myself that has nothing
@
I have nothing but I have none
I have a feeling that has no doubt
I have a shadow that has no me
and I have again everything I´ve never had.
@
Have you ever had having yourself without having the feeling to have?
@
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quinta-feira, 9 de julho de 2009

O visível e o enunciado.




O visível e o enunciado
by maurici &t santos



Assim, após 6 dias de vida, fui meio que obrigado a destilar minha langue, para que meus pares pudessem me entender.

De outros pouco sei; de mim quase sei e do mundo e das coisas nada sei. Eu não sei. O Amor não é coisa minha. Sobre o que é meu – e que – após dito – da polis, pertence às outras orelhas, ovelhas, ouvidos, sentidos, almas, calmas, estômagos, calcanhares e frieiras. Minha poesia é concreta até virar um gás, que, como tudo o que é sólido, se esvai no ar.
Quem vive por perto, por certo há de ser longe também pois que as redeas não vivem apenas encurtadas. Para todo movimento há a rédea justa.
No fundo cada um tem a sua linguagem, singular e autopoiética. É a poesia do corpo!

Escrevo por usar minhas mãos. Reparto por usar meu timo. Escuto por fazer de meu vazio algo preenchido e, satisfeito, saio pela janela do terceiro andar.

Escrevo como posso. Com a mão errada. Mas pode ser da direita para a esquerda também, como os hebreus, cananeus, samaritanos, caldeus, sírios, egípcios, púnicos, cartagineses, sarracenos, turcos, mouros, persas e tártaros. Estes seguem o curso do movimento diário do primeiro céu, que é muito perfeito, conforme Aristóteles, aproximando-se da unidade.
Estes eu já visitei.

Mas nada tenho com quem escreva da esquerda para a direita como os gregos, georgianos, maronitas, jacobinos, coftitas, tzvernianos, posnanianos e certamente os latinos e todos os europeus, seguindo o curso e movimento do segundo céu; conjunto dos sete planetas.
Estes, também, já estive com eles.

Os indianos, catânios, chineses, japoneses escrevem de cima para baixo conforme a ordem da natureza que deu aos homens a cabeça no alto e os pés embaixo. E os mexicanos que escrevem, quer de baixo para cima, quer em linhas espiraladas como as que o sol faz em seu curso anual sobre o Zodíaco.
São meus conhecidos.

A minha família não é minha mãe, meu pai ou meus irmãos. Eles também o são, mas não o são sozinhos; vizinhos. A minha família é o cervo, a aranha, o ovo, o gelo, o rio, as árvores, as pedras, o grilo, a correnteza, o vento, a abóbora, o galo, o cume da montanha, o seixo, a super nova, a velha, os asteróides, mongolóides, os gnomos, fadas, a pérola, os porcos imundos; e neste mundo, quiça em outros, teço meu tapete que não é meu. Meu tapete, meu arco: como um aríete sou lançado nos braços das bacterias, das almofadas, dos lírios, das salamandras, alcaparras, alcatrazes; dos albatrozes, lêmures, lêndeas; dos canapés, do bolo, do rolo; da miséria me escondo pois meu tapete não voa baixo.
Sou cosmopolita e viajo com muitos outros - seres de um só sexo. O que faz a vida não ser enfadonha é o fato de poder ter, a cada momento, conforme a vontade, a experiência de sentir ser cada um daqueles que me compõe.
Sou de você, sou de ninguém. E me sinto bem, também; aliás, além.
Zen.
100

domingo, 28 de junho de 2009

Ecos de mim e do eu



Ecos de mim e do eu
por maurici et santososososososososos
Ecosecosecosecosecosecosecosecosecosecosecosecosecosecosecosecosecosecos Demimedoeudemimedoeudemimedoeudemimedoeudemimedoeudemimedo?
Hoje eu quero amanhecer por que ontem eu, já fui. Eu sou ontem a metade do invisível. Minha outra metade ecoa. Não se vê. Voa. SoulA, sssss - ouA, souAtchim AsSim, A-sSou. Açougue. Azougue. Estorne. Enfeite. Efeito. Well done.
Bem feito!
Por Isso acordei cedo. Soa bem. The early bird catches the worm. Minha-oca. Meu presente vem como uma potente azagaia, cruza meu azimute, me deixa azoeirado, mas meu ázimo não me falta.
Minhas impressões não são digitais por que ando côncavo e meu sapato tem salto torto por que ando convexo, comungado. Eu tergiverso. Ando e converso, ando e conserto, ando e conecto. Ando erectu. Ando por perto. Meus delírios são plurais, meu hálito pleural, minha víscera dá vírgulas: espaço e silêncio, Psiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuuuuuuuuu. Bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
Venho d´alma, d´água, soul e blues; divago, vagueio, vadio, na tribo urbana, sou um zino. Sou UM, só unzinho, sozinho.
Ralo como um queijo por que sou um leque. Meu pensamento rala por que sou lépido. zassssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
Desesterilizo minhas tetas, que assam através de minhas brotas, metas, trombetas, dotes: Tenho sido abalroado. Eis minha limitação: Ao nascer deu-me. Ao viver deu-se. Ao morrer foi-me.
Meu aroma é vapor orgânico. Atinge a camada de ozônio. Antônimo. Meu amor é amora. Demora. Agora, meu calor é amônia. Sinônimo. Hoje eu anuncio: No chá das cinco que tem olho é rei.
errei!
De médico e louco, todo mundo tem um porco.
Não há à antês de palavra másculina
Não há à antes de verbo
Há à antes de advérbio de modo
Há à antes de situação de modo
Há à antes de um modificador de substantivo
Há à, Aha! ahahahahahahahahahahahahahahaha
Ecos do ofício. O rito atualiza o mito. E eu frito.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

de lírios de mim






A folha
comeu, deitou, dormiu.
No outono, acordou caída.
Escolheu, sonâmbula, o chão mais perto, preciso.
Não chorou. A penas, se coou.
- Eu? Não comi, não deitei e, insone, e-s-p-e-r-e-i a primavera.
Fui escolhido, acordado, inchado e úmido.
Queria ter caído, mas fiquei preciso e desperto todos os dias de minha árvore.
Penso que, se ela fosse eu,
talvez teria escolhido lírios.
Os lírios não caem.
Murcham.
Não escolhem, encolhem.
Encobrem as folhas, onde estão as folhas,
que comem, deitam, dormem.
No outono outro, acordam, de novo, caídas.
A árvore, quando faz uma folha, ela me líria:
- Se fosse eu, teria escolhido você.